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Arma 'disparada' na sala

Disparo terá sido efectuado quando aluno atirou a pasta ao chão dentro da sala


É um caso que tem tanto de insólito como de grave. No passado 27 de Abril, no interior da sala de aula do 7.º Ano B, da Escola B23+S da Ponta do Sol, terá ocorrido um disparo acidental de uma arma de fogo. À excepção de um arranhão de pouca gravidade sofrido na perna de uma aluna, não foram registados outros danos de maior, embora o estado de espírito da turma de 22 alunos tenha ficado profundamente abalado.
O disparo ocorreu quando uma aluna, de 13 anos, que tinha sido denunciada à professora por colegas que viram a arma, atirou a pasta dos livros ao chão. Segundo a versão relatada ao DIÁRIO por dois encarregados de educação, a professora dirigiu-se a toda a turma para pedir a entrega da arma. Mas como nenhum dos alunos se acusou, a docente optou por fazê-lo a 'quem de direito'. A menina, após negar a posse, pediu para ir à casa de banho e foi quando lhe foi recusado tal pedido atirou a pasta para o chão. O embate da arma no solo terá provocado o disparo acidental.
Os pais que relataram o caso ao DIÁRIO questionam a atitude da Direcção Executiva da escola, e da professora que se encontrava a dirigir a turma, pelo facto de ter sido 'exigido' aos alunos para não comentar o assunto em casa. Foi só após alguns dias que os progenitores ficaram a conhecer o sucedido, e depois de terem inquirido os filhos, em alguns casos com alguma insistência, devido ao comportamento anormal que vinham apresentando.
Também criticam o facto de a aluna que levou a arma para a escola não ter sido alvo de um processo disciplinar, tendo em conta a gravidade da situação que protagonizou e ainda o seu historial de casos de perturbação da sala de aula.
Esta versão é contrariada pelo Secretário Regional da Educação, Francisco Fernandes, que ontem explicou ao DIÁRIO, por escrito, que 'foi instaurado um processo disciplinar à aluna' e que o mesmo 'decorre normalmente'.
Fernandes confirma que a arma foi 'apreendida' pela 'professora que detectou a situação' e 'actuou de acordo com todas as normas adequadas e com o bom-senso aconselhável ao caso'. O governante afirma que 'a aluna em causa entregou a arma ao CE que a colocou num cofre, evitando qualquer situação de perigo superveniente, dado que, no momento, não havia certeza de se tratar de uma arma verdadeira'.
Portanto, para a Secretaria Regional de Educação não foi efectuado qualquer disparo dentro ou fora da sala de aula. 'Posteriormente, um dos elementos do CE observou a pistola, identificando-a como provável arma verdadeira, pelo que foi decidido solicitar a presença da PSP que, confirmando o facto, apreendeu a arma', lê-se ainda na resposta de Francisco Fernandes. Contudo, os pais afirmam que a bala disparada foi recuperada por dois alunos no interior da sala de aula.
O governante indicou que, no final do 1º período, após a mesma aluna ter 'manifestado na escola sobre a existência de uma arma em sua casa', a família foi 'alertada imediatamente para o facto'.
A aluna está 'a ser acompanhada pela escola, pelos seus professores, pelos colegas e pela psicóloga da escola', indicou ainda Francisco Fernandes, acrescentando que 'no desenvolvimento do procedimento desencadeado pela PSP, sabe-se que já foram ouvidas várias pessoas, nomeadamente a aluna, acompanhada de advogado, e um membro do CE'.
Ontem, o Comando Regional da PSP anunciou a apreensão de três armas ilegais (ver foto), uma das quais de alarme, e várias munições reais, que foram apreendidas no passado 30 de Abril na Ponta do Sol (três dias depois do alegado disparo na sala). O DIÁRIO tentou confirmar se este caso estava relacionado com a situação que os pais alegaram ter ocorrido na escola. Mas tal não foi possível.
Contudo, a nota da PSP deixa um aviso a quem tem armas ilegais ou mal guardadas em casa: 'Para além de constituir crime, que pode sujeitar o seu possuidor a sanção de natureza penal, é uma conduta que sujeita o próprio e outros - nomeadamente familiares e especialmente crianças e adolescentes - a uma situação de perigo, susceptível de causar danos físicos irreparáveis'.Raul Caires

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